Em Otacílio Costa, a causa animal é levada a sério
Poder público municipal amplia ações de proteção, controle populacional, vacinação, atendimento veterinário, educação e adoção responsável entre janeiro de 2021 e setembro de 2026
Cuidar dos animais também significa cuidar das pessoas, da saúde pública e da própria comunidade. Em Otacílio Costa, essa compreensão passou a integrar de forma mais efetiva as políticas públicas municipais nos últimos anos, com a implantação de programas, campanhas e ações voltadas à proteção e ao bem-estar animal.
Entre janeiro de 2021 e setembro de 2026, o município desenvolveu uma série de iniciativas que abrangem desde o controle populacional e a esterilização cirúrgica até vacinação, microchipagem, atendimento veterinário, educação, adoção responsável, fiscalização e captação de recursos para a estruturação de uma futura sede própria para o serviço.
Um dos principais marcos desse processo foi a implantação da COBEA — Coordenação de Bem-Estar Animal, responsável por organizar, acompanhar e ampliar as políticas públicas relacionadas à causa animal no município.
Ao longo do período, foram realizadas 3.181 castrações de cães e gatos até setembro de 2026, resultado de ações permanentes de controle populacional e de atendimento a animais em situação de vulnerabilidade.
Castração como ferramenta de controle populacional
Uma das frentes consideradas prioritárias pelo município é a esterilização cirúrgica. Para ampliar o acesso da população ao programa, equipes realizaram ações de cadastramento em postos de saúde e creches, facilitando a participação de tutores que muitas vezes não tinham conhecimento sobre os programas existentes.
Ao todo, 689 cadastros de tutores foram realizados durante as ações desenvolvidas.
O trabalho também contempla animais de rua, errantes, cães e gatos comunitários, animais pertencentes a famílias de baixa renda e beneficiários do Cadastro Único, além de fêmeas no cio encontradas nos diferentes bairros.
Segundo o coordenador da COBEA, Lucas Velho de Liz, o trabalho de controle populacional precisa ser permanente e realizado de forma responsável.
“A causa animal não pode ser tratada apenas quando surge uma situação de emergência. É necessário trabalhar todos os dias, com prevenção, educação, castração, vacinação, atendimento veterinário e conscientização da população. O nosso objetivo é construir uma política pública permanente, que reduza o abandono e os maus-tratos e, ao mesmo tempo, fortaleça a responsabilidade dos tutores”, declarou.
Método CED: capturar, esterilizar e devolver
Diante da inexistência de um Centro de Zoonoses no município, a COBEA adotou o método CED — Capturar, Esterilizar e Devolver, seguindo orientações de especialistas.
A estratégia é utilizada principalmente para animais errantes e comunitários. Após a captura, o animal é encaminhado para clínica veterinária credenciada pelo município, onde recebe os procedimentos necessários conforme sua condição.
O serviço disponibiliza mais de 256 itens de procedimentos veterinários, permitindo o atendimento de cães e gatos de diferentes portes e necessidades.
Depois da recuperação, os animais comunitários são devolvidos ao local de origem, mantendo-se o vínculo com a comunidade responsável por seu acompanhamento.
De acordo com Lucas Velho de Liz, o CED representa uma alternativa importante para o controle populacional.
“O CED é um trabalho diário. Não basta retirar um animal da rua sem resolver a causa do problema. Capturar, esterilizar e devolver, quando indicado, permite controlar a reprodução e manter o animal acompanhado pela comunidade. É uma ação que precisa estar associada à educação, à vacinação e à guarda responsável”, comentou.
Vacinação contra a raiva chega aos bairros
Outra frente importante foi o fortalecimento da vacinação antirrábica.
Com recursos próprios, o município adquiriu 800 doses de vacina contra a raiva, utilizadas tanto em animais submetidos às cirurgias de castração quanto em ações realizadas diretamente nos bairros.
Uma das primeiras mobilizações ocorreu no bairro Novo Mundo, abrangendo também as regiões do Bem Morar, Centro Administrativo e João Rodrigues. Na ocasião, 200 animais foram vacinados.
A mobilização também contou com a participação da comunidade escolar. A COBEA visitou a Escola Estadual Agar Alves Nunes e o CEI Mariazinha, convidando alunos, pais e familiares para participarem da campanha de vacinação realizada em 25 de abril de 2025.
Além das ações nos bairros, foram aplicadas 414 vacinas diretamente nas residências de protetoras voluntárias e de pessoas de baixa renda ou sem condições de transporte e locomoção.
A iniciativa demonstra uma preocupação em levar o serviço até quem possui maior dificuldade de acesso.
Censo ajuda município a conhecer realidade dos animais
Para compreender melhor a dimensão da população animal e orientar futuras políticas públicas, o município também iniciou um trabalho de censo populacional de cães e gatos.
Até o momento, foram entrevistadas 97 famílias, com o levantamento de 183 animais nos bairros João Rodrigues, Novo Mundo, Bem Morar e Centro Administrativo.
Durante essa etapa, 19 famílias optaram por não participar.
O levantamento continua em outras regiões, incluindo os bairros Fátima, Igaras e Santa Catarina, além do interior de Otacílio Costa.
O censo permite identificar áreas com maior concentração de animais, famílias em situação de vulnerabilidade e possíveis demandas relacionadas à castração, vacinação e atendimento veterinário.
Atendimento veterinário recebe mais de R$ 128 mil em recursos próprios
O município também investiu recursos próprios no atendimento de animais encaminhados à clínica veterinária credenciada.
Entre os casos atendidos estão resgates, atropelamentos, animais doentes, errantes, cães e gatos comunitários e situações envolvendo doenças como cinomose e parvovirose.
Até o período levantado, foram destinados R$ 128.578,74 em recursos próprios para esses atendimentos.
O investimento representa uma das áreas de maior impacto direto para animais em situação de vulnerabilidade, especialmente aqueles que não possuem condições de receber atendimento por parte de seus responsáveis.
Adoção responsável ganha espaço
A política de proteção também inclui o incentivo à adoção responsável.
Em parceria com a empresa Klabin, foram realizadas quatro feiras de adoção em 2025, com ações complementares de vacinação, banho e castração.
Os eventos realizados em 22 de março, 5 de julho, 15 de agosto e 30 de setembro resultaram na adoção de 73 animais.
Foram:
- 21 animais adotados na primeira feira;
- 16 animais na segunda;
- 19 animais na terceira;
- 17 animais na quarta.
As redes sociais do município e da COBEA também passaram a ser utilizadas para divulgar animais disponíveis para adoção, campanhas de vacinação, microchipagem e demais ações relacionadas à causa animal.
Educação como instrumento de transformação
Para a administração municipal, a mudança de comportamento da população é considerada essencial para enfrentar problemas como abandono, maus-tratos, reprodução descontrolada e circulação de animais soltos.
Por isso, a COBEA desenvolveu ações de educação em escolas, palestras e distribuição de materiais informativos, além de campanhas de conscientização.
Também foram realizadas três blitzes educativas.
Uma delas ocorreu junto ao CEI Maria de Lourdes da Silva Pinho, no bairro Novo Mundo, com distribuição de materiais educativos, incluindo a apostila de proteção e bem-estar animal.
A ação buscou orientar tutores sobre a responsabilidade de manter os animais dentro de seus lotes, prevenção de ataques, combate aos maus-tratos e cuidados necessários para garantir a segurança da comunidade e o bem-estar dos animais.
No mesmo dia, a iniciativa prosseguiu na praça central do Centro Comercial Pinheiros. No dia seguinte, a blitz foi realizada junto à Unidade Básica de Saúde do bairro Santa Catarina.
A proposta, segundo a coordenação, é trabalhar a prevenção por meio da informação.
“Educar é o primeiro passo para transformar. Quando orientamos uma criança, uma família ou um tutor, estamos trabalhando para evitar um problema no futuro. Cuidar dos animais também é cuidar das pessoas”, destaca Lucas Velho de Liz.
Combate ao abandono e aos maus-tratos
Como parte das ações de conscientização, foram instaladas 10 placas em pontos estratégicos e nas entradas e saídas da cidade, com informações sobre a legislação relacionada aos maus-tratos e ao abandono de animais.
Também foram instaladas três placas específicas em locais de grande circulação: em frente à Prefeitura Municipal, na Escola Pedro Álvares Cabral e na Escola Estadual Elza Deeke.
A iniciativa busca reforçar que maus-tratos, abandono e outras formas de violência contra animais são condutas passíveis de responsabilização.
O município também mantém uma política de não extermínio de animais de rua, priorizando medidas de controle populacional, atendimento, recuperação, vacinação, esterilização e encaminhamento responsável.
Linha direta aproxima população da COBEA
Outra medida adotada foi a criação de uma linha direta de atendimento, com número de telefone exclusivo para receber demandas relacionadas à causa animal.
A ferramenta permite maior agilidade na comunicação entre a população e a coordenação, facilitando o encaminhamento de situações que envolvam animais em risco, denúncias, orientações e demais demandas.
A presença digital também foi ampliada, utilizando as redes sociais para divulgar campanhas, orientações e ações de adoção, vacinação e microchipagem.
Microchipagem amplia identificação de animais
A identificação também passou a fazer parte da estratégia municipal.
Por meio do CISAMA, foram adquiridos cinco leitores de microchips, equipamentos que permitem identificar animais e seus respectivos tutores por meio do sistema Meu Pet Cidadão.
A microchipagem é uma ferramenta importante para facilitar a identificação, fortalecer a responsabilidade dos tutores e auxiliar no controle da população animal.
Recursos para uma futura estrutura própria
Um dos projetos considerados estratégicos para o futuro da causa animal em Otacílio Costa é a construção de uma sede própria para a COBEA.
O município conseguiu a captação de R$ 500 mil por meio de emenda parlamentar, recurso destinado à construção do Centro de Bem-Estar Animal.
A proposta prevê uma unidade básica de atendimento veterinário e castração de cães e gatos, destinada à prestação de atendimento médico veterinário básico, vacinação, triagem, procedimentos simples e cirurgias eletivas de castração.
A estrutura não terá características de hospital veterinário, abrigo, canil ou unidade de internação.
As diretrizes foram debatidas durante audiência pública realizada em 25 de junho de 2025, na Câmara de Vereadores de Otacílio Costa.
Também foi captado R$ 100 mil por meio de emenda parlamentar para aquisição de um veículo utilitário, que deverá contribuir para o atendimento das demandas da causa animal e auxiliar as protetoras voluntárias.
Programa Pet Levado a Sério garante mais 371 castrações
Outra conquista foi a captação de R$ 74.196,29 por meio do Programa Pet Levado a Sério.
O recurso possibilitou a realização de 371 castrações de cães e gatos.
O programa tem como finalidade promover o bem-estar animal por meio do controle populacional, contribuindo para a redução do abandono e dos maus-tratos. Também contempla ações de educação para a guarda responsável e capacitação contínua dos agentes públicos.
Audiências públicas ampliam participação da comunidade
A construção das políticas públicas também contou com a participação popular.
Foram realizadas duas audiências públicas na Câmara de Vereadores, reunindo especialistas, representantes do poder público e comunidade para discutir propostas e alternativas para a causa animal.
Para a administração, trata-se de um tema amplo, que exige diálogo permanente.
Fiscalização e regulamentação
O município também trabalha na implantação de mecanismos de fiscalização.
Está em fase de construção de edital para processo seletivo destinado à função de fiscal de Bem-Estar Animal, conforme previsto na legislação municipal.
Também está em fase de implantação, conforme a legislação ainda em processo de regulamentação, a abertura de edital de chamamento para credenciamento de lares temporários remunerados pelo município.
A proposta é criar mecanismos para ampliar a rede de atendimento e acolhimento temporário, de acordo com os critérios estabelecidos pela legislação.
Casos de mordedura recebem protocolo específico
Nos casos de mordedura de pessoas, o município adota protocolo que prevê a captura e acompanhamento do animal.
Quando se trata de animal comunitário ou sem tutor identificado, o animal pode ser encaminhado para clínica veterinária especializada, permanecendo em observação pelo período determinado, com fornecimento de água e alimentação, além da realização de avaliação clínica, vacinação e demais procedimentos necessários.
Após o período de observação, quando não houver impedimento, o animal comunitário pode ser devolvido ao local de origem e cadastrado como animal comunitário.
Nos casos em que o animal possui tutor ou proprietário comprovado, são adotadas as medidas administrativas previstas na legislação municipal, incluindo notificação e aplicação de penalidades quando cabíveis.
Uma política pública construída de forma gradual
Para o prefeito Fabiano Baldessar de Souza, a evolução das políticas de proteção animal representa uma mudança na forma como o município encara o tema.
“Quando assumimos o compromisso de trabalhar pela causa animal, entendemos que não seria suficiente realizar ações pontuais. Era preciso construir uma política pública, com planejamento, recursos, educação, castração, vacinação, atendimento veterinário, fiscalização e participação da comunidade. Os números mostram que avançamos, mas sabemos que ainda há muito a fazer”, admitiu Baldessar.
Segundo o prefeito, a implantação da COBEA foi fundamental para organizar as ações e aproximar o poder público das protetoras, tutores e da população.
“A causa animal exige responsabilidade e continuidade. Temos buscado recursos, realizado parcerias e criado mecanismos para ampliar o atendimento. A captação de recursos para a futura estrutura própria, o veículo, as castrações, a vacinação e os atendimentos veterinários são exemplos concretos de que o município está investindo nessa área”, afirmou.
Um trabalho que continua
De janeiro de 2021 a setembro de 2026, os números ajudam a dimensionar a abrangência das ações: 3.181 castrações, 689 cadastros de tutores, 800 doses de vacina antirrábica adquiridas com recursos próprios, 128.578,74 em investimentos próprios para atendimento veterinário, 73 animais encaminhados para adoção nas quatro feiras de 2025, 371 castrações por meio do Programa Pet Levado a Sério, além de ações de educação, censo populacional, microchipagem, atendimento emergencial e combate ao abandono e aos maus-tratos.
Mais do que números, a proposta é consolidar uma mudança cultural.
A política de bem-estar animal de Otacílio Costa está sendo construída a partir da combinação entre controle populacional, prevenção, educação, atendimento, fiscalização, participação comunitária e responsabilidade dos tutores.
O desafio, no entanto, permanece. O próprio trabalho de censo continua avançando por novos bairros e pelo interior do município, enquanto novas ações estão em fase de implantação.
Para Lucas Velho de Liz, o caminho passa pela continuidade.
“Ainda temos muito trabalho pela frente. A causa animal é um assunto que não se esgota. Cada animal atendido, vacinado, castrado, identificado ou adotado representa um avanço. Queremos que a população entenda que essa responsabilidade é de todos: do poder público, dos protetores, dos tutores e da comunidade”, pontuou.
A perspectiva da administração municipal é que os próximos anos sejam marcados pela ampliação da estrutura, fortalecimento da fiscalização e continuidade dos programas já iniciados.
“Em Otacílio Costa, a causa animal deixou de ser tratada apenas como uma demanda pontual e passou a ocupar espaço dentro da agenda de políticas públicas municipais, porque cuidar dos animais também é cuidar da saúde, da segurança, do meio ambiente e das pessoas”, finalizou o prefeito Fabiano Baldessar.







